Aniversário de criança
Inicio esta postagem com uma história que sempre cito como exemplo nas minhas palestras em reuniões de pais:
“Um casal vai ao aniversário da filha de um amigo, com sua filha de 4 anos de idade, chegando lá, acomodam-se em uma das mesas postas para os convidados. Em outro espaço da festa encontra-se um palhaço que reúne a criançada para que os pais possam aproveitar também o lado adulto da festa. A filha fica receosa em dirigir-se até o palhaço e tantas crianças que não conhece, mas, a mãe a incentiva e lhes fala que não irá sair daquele local. A hora que ela procurar, estará ali e que a filha vá se divertir com a turma de sua idade.
Em momento algum a mãe saiu do local que havia prometido a garotinha que sempre, entre uma brincadeira e outra, olhava para confirmar o que a mãe havia lhe dito. Logo, criou dessa forma o laço de segurança. Desencadeando futuramente em Autonomia. Quando a mãe precisava se ausentar, para falar com alguém, o pai permanecia na mesa e acenava para a filha que sempre lançava os olhinhos confirmadores.
Todos sabemos que nestas brincadeiras dirigidas por estes palhaços exigem competitividade, jogos, brincadeiras que aos vencedores entregam-se prendas. Depois de todos cantarem o “parabéns pra você”, o palhaço organiza uma fila para distribuir as caixas contendo os doces. Podemos imaginar o empurra-empurra da criançada pra receber os docinhos. E lá foi a filha do casal enfrentar a fila. Lógico que não havia apenas crianças da mesma idade, eram variadas, mas, tratava-se de crianças. Então, a mãe agiu da mesma forma, que a filha fosse sozinha enfrentar o desafio de conseguir os doces e pode-se imaginar, crianças que querem passar a frente, aqueles que gritam a cor que quer, e lá estava ela enfrentando seu primeiro de tantos obstáculos que nós seres humanos começamos a enfrentar. Ao receber a caixinha com todas aquelas delícias retorna a mesa dos pais e mostra a vitória daquela pequena guerra pela conquista.”
A vida em sociedade nos coloca diante de problemas proporcionais, em sua maioria, a medida em que crescemos, as nossas capacidades de resolução. Comparo a situação através da seguinte perspectiva futura: a mesa que o casal se encontrava é a nossa casa, o nosso porto seguro em que podemos descansar e contar com o apoio da família ou daqueles aos quais amamos. O palhaço da festa e as brincadeiras são os desafios do nosso dia-a-dia pela sobrevivência em todos os aspectos. A fila para pegar a caixinha de doces é o desafio do emprego, a entrevista, a adrenalina da convocação, a concorrência do dia-a-dia e a caixinha do doce é o salário...
Tudo reflete na vida adulta e a Autonomia é um processo lento que deve ser construído desde a infância. Este é um dos episódios que ocorreu com a minha segunda filha...
Isto, não é uma cartilha de receitas prontas. São momentos que quero partilhar com pais, professores e aqueles que estão no caminho de mediar a Autonomia para seus filhos, alunos e crianças. Para que possam observar que educar é um processo minucioso de detalhes imperceptíveis àqueles que deixam para depois, momentos que jamais voltarão no tempo. Então, esta semente que chamo de Autonomia, tem de saber escolher o solo, fertilizar, regar e cuidar. Sabendo que o crescer, brotar, florir e frutificar depende de nós...