Cachoeiras submersas e silenciadas...
Hoje se fala tanto em preservar, reciclar, coletas seletivas, reflorestamento... Sim, fala-se. Mas a ação é perdida no tempo daqueles aos quais não possuem tempo. Constatei quando ouvi em um noticiário de TV sobre algumas cachoeiras a serem aniquiladas por causa da construção de uma barragem. Colocando submersas para sempre uma das mais belas paisagens situadas numa pequena cidade do interior nordestino. Não vem ao caso citar o nome ou reivindicar nada, infelizmente. Aqui não se trata daquela fábula do beija-flor que tentava apagar um incêndio na floresta com água em seu bico, porque estava fazendo a parte dele... Poeticamente belíssima. Retificando, a água no bico de um beija-flor não apagará jamais um incêndio numa floresta amazônica. Isso é apenas um desabafo porque conheço a dimensão de tamanha atrocidade. Vamos ser realistas. No mundo de hoje não dá para fazer poesia, apenas lamentação. Também não vem ao caso o erro da construção de uma cidade nas margens do rio, erros iniciais continuam a gerar mais erros, é um “efeito dominó”. O problema é: sempre haverá alguém a capitalizar alguma “fatia” em cada projeto ou campanha ecológica utópica. Como também faz parte do processo, a educação é maquiada com projetos ecológicos belíssimos. Professores interpretam o script no qual são obrigados a atuar, alunos fingem aprender porque obtém boas notas para as estatísticas apoiadas pelas políticas públicas. Dessa forma, a escola aparece na mídia como exemplo e ponto positivo para o Sistema.
Meu brado aqui, é para as pessoas conscientes deste contexto e que simplesmente ESCUTAM... Nem sequer questionam ou mobilizam-se, pior, nem ao menos se abalam com a notícia de que acabará, em seu estado, um cartão postal vivo, um ecossistema perfeito, ponto de meditação e ponto de contemplação. Coisa que hoje em dia ninguém tem mais tempo para isso... Contemplar? Quem se importa com fauna e flora? Se tiver lucro, tudo é silenciado. Quantas pessoas irão tirar proveito com tal atitude? Ou melhor, quantas irão dividir seus lucros e com quem? De quatro em quatro anos tudo se faz e se desfaz. Nesse caso não há como desfazer, não há como esvaziar uma barragem...
O assunto banalizou-se, os noticiários emudeceram, a educação continua seu percurso e as cachoeiras cairão no esquecimento, como “tudo” nesse país.
Ane Monteiro
Nenhum comentário:
Postar um comentário