Valores na Escola
Hoje presenciei uma cena, às 7h e 30minutos da manhã, em um dos corredores do colégio municipal, no qual trabalho como supervisora pedagógica, que me deixou irritada. Mas, calei. Às vezes o silenciar não significa omissão. Significa cansaço... Um pai escutando passivamente as ordens, em bom tom, de seu filho de 7 anos: “Vamos! Não fique aí parado! Desça e compre o meu lanche e que seja o que eu lhe pedi para comprar! Coxinha, refrigerante e chicletes! Vá! Vá! Vá! E seja rápido porque a aula vai começar!” Como lutar, ou argumentar com essa “bola de neve” que se tornou a permissividade na educação familiar? Como ir de encontro a um Estatuto que dá mais direitos aos menores que deveres? Quando chamamos a atenção para uma cena como essa, os pais ainda relutam na frente da criança e falam, às vezes e com orgulho: “eu não posso com ele... Ele tem uma personalidade forte, ele sabe o que quer.”
Fico a imaginar como será daqui há 10 anos. Porque em meados da década de 90 já presenciávamos tais situações e eram diagnosticadas como hiperatividade. Substituíram os termos “mal educação e falta de respeito” por esse transtorno psicopedagógico. Acredito que Alicia Fernandez (psicopedagoga argentina e minha referência profissional) também sofra com tais situações em suas palestras e consultório. Porque a família perdeu o rumo. E vem perdendo cada vez que a TV monopoliza a educação familiar. Sim. Estou generalizando. Uma criança que tem acesso aos programas de TV que mostram famílias desestruturadas e falta de juízo moral, contribuindo em lançamentos de modas, estilos comportamentais e novas “tribos”, colaborando para a superlotação dos consultórios psicopedagógicos e psicológicos, para que façam o papel da família porque se ausentam, é um ultraje. Nós desta área, também temos limites de tolerância.
Possuo 22 anos em escolas da rede privada e trata-se do mesmo problema. Porque uma vez que os pais possuem uma renda significativa, a forma de tratamento é a mesma. Onde o consumismo é a palavra de ordem. Imagino, daqui há 10 anos, essa geração de crianças e adolescentes sem limites, sem respeito pelos mais velhos, sem valores, sem ética, sem bom gosto musical, sem rumo porque não sabem mais brincar, sem tradições, sem fé. Perderam a infância cedo, perderam a inocência cedo. E o pior, perderam a autonomia... Sim, porque autonomia não é soberania. É um processo futuro, no qual será uma repercussão em nosso país. Pessoas que jamais terão autonomia para guiar a própria vida, quanto mais um cargo de liderança, que exige tantas qualidades implícitas da educação familiar, e que hoje nos faz calar diante de cenas que desconstroem a qualidade do referencial que seria o pai e a mãe.
Direitos autorais(LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.)
Ane Monteiro
Ane Monteiro
Não esqueçamos que:
ResponderExcluira)amar demais atrapalha;
b)os ditadores tiveram mais sins do que mereçeram;
c)gente mimada é projeto plagiado;
d)pai bilolão é recalque de infância;
e)todas as alternativas estão corretas.
Paciência. Recomendo Sartre: "O inferno são os outros." Então abra os braços e beije a boca do mundo... Cheeeiirão Ane.