Somos o que plantaram em nós.
Como já falava o psicanalista alemão Erik Erikson, “o problema do ser humano é a mãe...” E olha que ele tinha razão. Não é que o pai não tenha participação, mas, tem pai que é verdadeira “mãe”. Ou melhor, pai é filho de uma mãe... Até porque foi este aluno de Anna Freud que construiu sua teoria do desenvolvimento psicossocial. Estou apenas recordando algumas situações da nossa infância. Quando ele fala que “A criança adquire ou não uma segurança e confiança em relação a si próprio e em relação ao mundo que a rodeia, através da relação que tem com a mãe.” Realmente tem um imenso sentido.
O que somos, nossos medos, inseguranças, relacionamentos que desistimos ou assumimos, situações que deixamos de enfrentar por tabus ou mesmo a dúvida de estar certo ou errado. Isso foi a nossa educação materna que nos fez decidir, desistir, esconder-se, mostrar-se, arriscar-se, enfrentar desafios, saber educar nossos filhos, escolher nossa profissão, amar o outro, ou odiar...
No segundo estágio – autonomia/dúvida e vergonha denominado por Erikson, se fizermos uma retrospectiva de nossa infância sobre o que nossa mãe fazia, sempre por amor, em nos defender e não permitir que defendêssemos a nós mesmos, resolvia os mais simples e possíveis problemas de ser resolvidos por nós, falava por nós não nos permitindo o desenvolvimento da argumentação, enfatizava que não mentíamos jamais, nos elogiava na frente de pessoas que sabíamos que era total exagero, ou seja, quantas vezes presenciamos nossos pais mentindo para nos defender. Se somos gordos hoje foi o estimulante de apetite que ela ingenuamente nos dava para crescermos “fortes” e mostrar a todos que éramos bem alimentados... Não estou aqui desencadeando uma revolução familiar. Mas, é uma forma de tentarmos “corrigir” ou mesmo “arrancar” em nós o que plantaram e o que estamos frutificando hoje. E então? O que fomos? E o que nos tornamos? Somos o resultado desta “agricultura” educacional que nossa mãe erigiu.